terça-feira, 30 de novembro de 2010

SONETO A UMA MISTERIOSA DAMA





Tu és e sempre foste um belo sonho
Desses que ficam só na fantasia;
E trêmula passaste!... Todavia,
Ficaste no soneto que componho

Com um verso comovido e tristonho
Que até a alma mais sensível arrepia;
Tal qual reflete do rio a maresia
O luar misterioso e risonho...

És tão bela, tão meiga e natural
Que dir-se-ia não seres só o meu fanal,
Mas a Virgem Imaculada, a Santa!

E, aos teus pés, deposito insepulto
Todo o meu triste amor, todo o meu culto
Ó magna musa que o meu estro canta!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SOMENTE A POESIA PODE NOS SALVAR



E há caminhos sem luas descobertos por Quintana
Que nos ferem a alma bêbada de vodka e rum
Caminhos que nos levam ao lugar incomum
Da poesia que sopra dos pampas, camoniana!

E há uma nesga de brisa a balouçar a veneziana
Inexistente da janela de quarto algum
Estilhaçando o silêncio de Cafarnaum
Soprando alento nos bibelôs de porcelana

Que vão ganhando vida, luz e poesia!...
Ah, se o mundo fosse todo fantasia
E, pudéssemos, crianças, no quintal

Do tempo brincar despreocupadamente...
E o ser humano não estaria assim doente
Como está de um triste e incurável Mal!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

domingo, 28 de novembro de 2010

SONETO À MINHA MÃE



O que te passa pelo pensamento
Nessa hora de calma e abandono
Em que te entregas a um leve sono
Em meio a tanta agrura e sofrimento?!

Como fazer de meus versos lenimento
Pra tua vida que já está no outono,
Como fazer de meu coração o trono
Onde possas reinar eternamente?

Quantas sonhos e desejos inalcançados,
Quantas perdidas e sonhadas carícias
Passaram pelo palco de teu coração?

Que fazer dos afagos desperdiçados,
Das aventuras mutiladas, das delícias
Não vividas, dos dias que passaram em vão?!...

by Jaime Adilton Marques de Araújo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

SONETO DE SÚPLICA



Senhor, de coração sincero
Perdão Vos peço nesta hora
Seja eu um pecador embora
Mas vossa compaixão eu quero.

Sua ovelha desgarrada chora
Desiludida em desespero.
Levou da vida um destempero
E piedade a Vós, então, implora!

Oh, não deixeis que em mim desabe
Inexoravelmente o mundo
Nem que eu caia na mão do inimigo...

E, louvar-te-ei inda que acabe
A vida, de um tão amor profundo
Que quer-me-ás sempre contigo!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SONETO DO AMOR NATURAL




Teus pudores subtraem-me a libido
E fico, inane, a te render o preito
Dos poetas desesperados, sem jeito
De a transparência louvar-te do vestido!

Quem me dera fosse o príncipe eleito
De teus sonhos e o lorde escolhido
Que vencesse dragões e que vencido
Aos teus pés declarasse amor perfeito!

Mas de um grande amor sou tributário
De um amor mais palpável, mais real,
Que ao som não brota de um estradivário,

Não tem a aura de amor medieval
Mas é amor, canto núbio de canário,
Pele a pele, e simples, e natural!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

FÊNIX RENASCIDA



Não pedi para sofrer. No entanto,
A bruxa do destino sem razão
Sua faca sega em meu coração
Cravou e tentou calar meu canto.

Sem fontes, sequei. Pra meu espanto
Até Calíope me deixou na mão
E foi assombroso sentir a sensação
De abandono, desprezo, desencanto…

Foi terrível me sentir acorrentado
Do espaço-tempo pelas vis amarras
E num vil calabouço ser jogado...

Salvou-me o triste canto das cigarras
- Singelo canto, canto abençoado -
Sobrevivi à bruxa louca e suas garras!

by Léo Frederico de Las Vegas

terça-feira, 23 de novembro de 2010

DOIS PONTOS DE VISTA SOBRE FELICIDADE



O que tu queres de mim é o estatus:
'Sou casada e muito bem casada!'
Uma casa com varanda e sacada,
Um passarinho na gaiola, uns dois gatos;

Uma prole, talvez, bem comportada,
Samambaias pelos muros, alguns cactus,
Uma amiga para por em dia os papos,
Ser a dona do pedaço, invejada!

Tudo isso é muito bom e eu também quero.
Mas, ser feliz não é apenas ter dinheiro,
Senão a vida viver sem lero-lero!

Pra ter você eu trocaria o mundo inteiro.
Quero de ti o que todo Homem quer:
De ti eu quero a pevide e a Mulher!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O REVERSO DA FOTOGRAFIA*

*desentranhado das entrelinhas de Fotografia de um sábado à noite

Ao Zack

Eu tenho um amigo que é sádico
Enclausurado numa concha mórbida
E cuja mão é meliante e pérfida
Aliciando a noiva feito um mágico.

Na doce ilusão de seu poema trágico
Vai construindo uma sensação inédita
De descartar toda impureza fétida
Em troca de um sorriso doce e cálido.

E assim em versos loucos a translúcida
Blusa da moça que se entrega esplêndida,
Louva, à sua sanha voraz de bêbado

E, feliz, a lambuza em um cio orgástico
Transmutando-a, sóbria, no verso trôpego
De sua constante poesia elegíaca!

domingo, 21 de novembro de 2010

SONETO DO IMUTÁVEL AMOR



Nada mudou. É tudo como antigamente
Quando corríamos felizes e descalços,
Entrelaçadas as mãos, olhos esgarços,
E o coração palpitando alegremente.

Nem nossos sentimentos eram falsos
Nem a lua espiava tristemente.
A coloração de tudo agora é diferente,
Mas em nós nada mudou. Até os cadarços

São os mesmos dos sapatos que não usamos.
Abraçados fitávamos o tempo. Continuamos
Com o mesmo desejo ardente de partir.

Nada mudou, bem sabemos. Em nosso peito
Cultivamos o mesmo velho amor perfeito
E uma vontade muito louca de sorrir!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

sábado, 20 de novembro de 2010

SONETO DA EXTREMA NECESSIDADE



Meu amor, eu preciso de um verso
Para compor um poema de ternura.
Eu preciso, doce e meiga criatura,
Dizer  aqui o contrário, o reverso

Do que sempre digo, pois o universo
É pouco pra conter essa ventura.
Se no meu peito há uma quentura
Ela mostra de minha alma o anverso!

Que vontade subumana de levar-te
Num rapto das delícias ao jardim
E ver, inteira, ao meu amor, quedar-te!

Quem me deras desses um verso a mim
Nele, pra sempre, eu iria emoldurar-te
Com as tintas vivas de um amor sem fim!

by Jaime Adilton Marques de Araújo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MEUS QUERIDOS POETAS



A poesia de Gullar me apavora,
A poesia de Vinícius me enternece;
A poesia de Cecília me entristece,
A de Clarice Lispector me devora!

A poesia de Quintana me estremece,
A poesia de Bandeira me diz: "Chora!"
A de Alphonsus de Guimaraens, sonora,
Leva-me à de Bilac - me enriquece!

Mas há uma poesia que me enleva,
Que me encanta e me faz ficar sem chão,
E me ilumina e me tira da treva!

Dentre todos és o maior: pai e irmão,
Tua poesia me é cara, de verdade,
Ó querido Carlos Drummond de Andrade!

by Léo Frederico de Las Vegas

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SONETO DA INFINITA SAUDADE



Há momentos em que bate a saudade
E o coração sem pudor chora por dentro;
Nessas horas eu em minha concha entro
E por nada troco essa eternidade!

E, se não bastasse, há um samba, na cidade
Ecoando tristeza, dor, paixão, lamento...
"A cabrocha que eu amei", em pensamento
Nele está transubstanciada de verdade!

E vou sorvendo uma dor que se eterniza
Qual sorriso intrigante de Monalisa!
- Sigo lutando, sou Cavaleiro Medieval.

Não deponho as armas nunca, nunca!
Inda que me crave sua garra adunca
A solidão, do amor serei poeta imortal!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SONETO DE ESPERANÇA


Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...
Alceu Valença - "Anunciação"
Já estou escutando os teus sinais
Na doce voz do vento temporão
Que acarinha teus recantos sensuais
Reacendendo-te o fogo da paixão!

Sei que vens! E por ti meu coração
Bate, acelerando um pouco mais!...
Que bom saber que a vil solidão
Vai sucumbir! Eia, sus, enfim virás!

Virás pra florescer a minha vida,
Virás pra ser a minha Bem-Amada
Morena de meus sonhos e delírios.

E trarás para a terra ressequida
De minh'alma uma chuva abençoada
E em mim florescerão rosas e lírios!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

NÃO DESPREZE O MEU AMOR...



Se tu tivesses alguém no teu encalço
Disputando o meu amor, meu coração,
Não sorririas esse sorriso falso,
Pois por ti estou morrendo de paixão.

Mas, porque tens só a ti minha atenção
E me vês, à tua mercê, nu e descalço,
Zombas de mim, com grande gozação
E levas o meu amor ao cadafalso!

Não faz assim, meu bem, que isso magoa.
Também sofro e como qualquer pessoa
Tenho um sonho e um desejo delirante...

Se continuas a me esnobar, cuidado!...
Um dia por me sentir tão desprezado
Quem sabe não queira mais ser teu amante!

by Léo Frederico de Las Vegas

domingo, 14 de novembro de 2010

REFLEXÕES EM FACE DA MORTE


A morte não tem idade realmente
E nem tão-pouco critério de escolha
O velho e rude galho ou a tenra folha
São levados, por ela, incontinenti!

E à nossa dor se mostra indiferente:
Vem em nosso jardim e então desfolha
Nossas roseiras e faz que se encolha
A alegria do rosto antes sorridente!

Mas, temos que aceitá-la. É a lei.
E, também, nossa única certeza.
(Dos mistérios da vida nada sei!)

Seremos - cedo ou tarde - não é surpresa,
(E quem sabe até quando aqui serei?...)
Devolvidos todos à Natureza!

by Jaime Adilton Marques de Araújo

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

FIZ TUDO POR AMOR



Por amor já roubei versos alheios
Dei-os à lua e até subi em laranjeira.
Por amor fiz poesia altaneira
À beira d'água amando-te em coleios.

Por amor u'a doce canção fagueira
Da algibeira tirei pra teus enleios...
Por amor contratei pombos-correios
Que por e-mails a minha verdadeira

Paixão levaram a ti, ó minha vida,
Exalando a doce sinceridade
Desse sentir que jamais ficou exangue.

Por amor fiz rondéis, trovas... sentida
Emoção fui expressando com verdade...
Por amor chorei lágrimas de sangue!

by Léo Frederico de Las Vegas

domingo, 7 de novembro de 2010

SONETO DO AMOR NÃO CORRESPONDIDO



Esmaga violentamente o coração
O amor fugaz e não correspondido.
Sofro muito e como um pássaro ferido
Silenciei para sempre minha canção.

Num claustro escuro encerro esse amor
Que foi somente meu, foi minha vida;
Minha poesia; minha linda musa querida;
Pólen melífluo de minha singela flor!

Mas hoje esse amor é o meu pesar;
A minha melancolia… a minha desventura…
Ah! Tivesses ainda um pouco de ternura
E eu libertar-te-ia, ó amor, para sonhar!

Sim, o amor fugaz e não correspondido
Esmaga sem dó o meu pobre coração sofrido…

by Léo Frederico de Las Vegas

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

NÃO GOSTO DE DIZER ADEUS



Eu não gosto de ir a cemitérios
Nem pra levar a última homenagem.
Basta, aos que morreram, seguir viagem
Sós que sozinho fico vitupérios

Ouvindo dos vivos e despautérios
Que me falta sentimento ou coragem...
O que dizem não passa de bobagem
Mas não ligo para esses impropérios!

O que não gosto é olhar o amigo morto
Hoje, se ontem mesmo ainda sorria.
Lembrá-lo vivo pra mim é um conforto!

E o que, às vezes, parece covardia
Nada mais é que um carinho torto
De vida e morte honrar com alegria!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.

Campeão de Acessos

DESILUSÃO...

De tanto te amar De tanto sonhar Que seria feliz Foi que eu me acabei Meu sonho quebrei E hoje sou infeliz… Por te amar tinha me...