sábado, 30 de junho de 2012

POETA VIVO



Denunciar injustiças
Nas asas da lucidez
Deve ser a nossa liça
Em estado de viuvez
Ergamos de uma vez
Por aí aos quatro cantos
Nossa voz (ou nosso pranto)
Mas não fiquemos calados
Pois só assim a morte é certa
Quanto a mim - que sou poeta -
Meu dever, inda que Torto,
É ser a voz dos oprimidos
E mesmo que reprimido
Denunciar: não estou morto!

by Jayme Lorenzini García

sexta-feira, 29 de junho de 2012

É PRECISO QUE SE VIVA PRA LUTAR



Olhar pela fresta é covardia
É fugir, pois, do 'front' de batalha
É vestir manto gélido, mortalha
De quem perdeu da vida a alegria.

Não fazer o que antes se fazia
Por puro comodismo - voz de gralha -
É entregar o pescoço à navalha
É sepultar da beleza a poesia!

Preciso é conservar os longos gestos
Que se erguem em forma de protestos
Não morrer sem antes reverberar

A falta de amor... carinho terno...
E inda que não haja céu ou mesmo inferno
É preciso estar vivo pra lutar!

by Jayme Lorenzini García

segunda-feira, 25 de junho de 2012

NÃO VALE A PENA



Você não dá nada
Pela luz da lua
Você não dá nada
Por essa paixão
Você não dá nada
Pela eterna dor
Que aflige meu peito

Você nem pergunta
Porque estou na rua
Já fora de hora
Em total solidão
No bar esvaindo
Esse grande amor
Que eu julgava perfeito

Você não dá nada
E eu a sofrer
Essa dor ingrata
Que é te perder
Mas não tem problema
Vou sair da lama
Pois não vale a pena
Amar quem não ama!

Você nem pergunta
Porque estou na rua
Já fora de hora
Em total solidão
No bar esvaindo
Esse grande amor
Que eu julgava perfeito

Você não dá nada
E eu a sofrer
Essa dor ingrata
Que é te perder
Mas não tem problema
Vou sair da lama
Pois não vale a pena
Amar quem não ama!

by Manoel da Silva Botelho

domingo, 24 de junho de 2012

MISSÃO CUMPRIDA



Margareth viveu nesta terra
E não há muito se foi.
Sua prece ao lado do berço,
Seu rosto meigo e sereno,
Seu sorriso a transmitir ternura,
Seus olhos a distribuir amor:
Sublime condição de mãe!

Margareth, tantas vezes
Gemeu sob a dor do parto...
Levando numa noite fria
O carinho ao infante que o pedia!

Tantas vezes Margareth
Transmitiu o calor humano
Dizendo ao filho: "Eu te amo!"

- O bebê quer mamar?!
- Mama, bebê! Mama até fartar!!!

E uma lágrima de felicidade beija
O rosto angelical de quem viveu
Para transmitir meiguice e doce afeto.

- Trazei-ma para junto de mim.
- Tra-la-emos, SENHOR!

E um outro anjo luzente
Toma Margareth nos braços
E a leva aos braços de Deus.

Que doce sinfonia inunda os Céus
Para receber aquela
Que, enquanto palmilhou este chão,
Cumpriu a sua árdua, mas nobre missão
E foi uma autêntica Mãe!

by Léo Frederico de Las Vegas

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MELGAÇO... MELGACENSE... MELGACINO!...



Hoje te vás da terrena convivência...
(Quem dera fosse isto um mau sonho!)
Mas deixas como exemplo a sapiência
De homem honesto e honrado, Antonio!

Chora a terra onde nasceste, enlutada,
Lágrimas de um brilho triste e franzino,
Pois deixas órfã a tua terra amada
Melgacense até no nome, Melgacino!

Como olvidar que foste um dos grandes?
(Ignorar-te os méritos ninguém ousa!…)
Mas a evitar que tu um dia brandes
A reclamar, homenageamos-te, de Souza!

E a nossa alma sente a dor aguda
De saber-te um morador da fria lousa
Saudades serenizadas na canção muda
Ó Antonio Melgacino de Souza!

Sim, a saudade que temos é tão fremente
Que dir-se-ia não se conter no coração…
E há de seguir-nos, vida a fora, a tua ausente
Presença de avô, pai, tio, esposo... e irmão!
Melgaço, 21 de junho de 2012.

by Léo Frederico de Las Vegas

terça-feira, 19 de junho de 2012

NOS SEIOS DA LUA NOVA



Receosamente te distrais
Rasgando versos inclusos
E passeias pela cidade oculta
Tua hipocrisia, tua máscara
De poeta decadentista!
Lavas as mãos
Antes do cantar do galo
E repousas, bêbado,
Nos seios da Lua Nova!

domingo, 17 de junho de 2012

AUSÊNCIAS NACARADAS



Queria tocar teu coração
- Essa terra de ausências -
E ser o perfume nacarado
Que te deixa inebriado
E que gentilmente exala
De tuas mãos em flor!

by Yara Cínthya Marcondes da Silveira

sábado, 16 de junho de 2012

RIOS À ESMO



Mais uma sílaba do mesmo verso
Mais um gemido do mesmo orgasmo
Mais um pecado do mesmo inconfesso
Mais um delírio, mais um louco espasmo!

Mais uma prece do mesmo converso
Mais um sorriso do mesmo sarcasmo
Mais um fracasso do mesmo insucesso
Mais um boêmio, mais um pleonasmo!

E a vida então se molda pelo esteta
Que se molda à sua obra que se molda
À vida itinerante de um profeta.

Eu sou barco ao léu nos rios à esmo
Árvore verde esperando a poda
Eu sou quem era sem ser mais do mesmo!

by Manoel da Silva Botelho

quinta-feira, 14 de junho de 2012

REPONTA




o encontro das águas
trouxe a verve pura
das sílabas escamosas
da mãe d'água
que sorri
ao quiririm
soturno
dos cafundós
do brejo!

by Olímpio José de Araújo

quarta-feira, 13 de junho de 2012

PÁSSAROS DO DESESPERO



Os pássaros da desesperança
Fizeram seu ninho nos beirais de minha solidão.

Sempre que ouvem o silêncio do meu desespero
Vêm e cantam os vinte poemas de amor
E uma canção desesperada
Que Calíope, num dia de doçura e paixão
Fez sair da lira ímpar de Neruda!

Os pássaros da desesperança
Estão cientes da minha dor
Por isso declamam Vinícius
E decifram Clarice Lispector
Para os meus ouvidos moucos
Da ausência de tua pele lunar!

E sigo triste meu caminho de poeta amargo
E canto à ternura das estrelas
Na esperança de te reencontrar!

by Léo Frederico de Las Vegas

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O QUARTO MINGUANTE E UM ETERNO AMOR



O Quarto Minguante
Espreita, soberbo,
Por entre os galhos centenários
As juras de amor eterno
Que faz Romeu a Julieta!

E o horizonte chora ao longe
A sorte aziaga dos amantes
Pedindo ao dia no cantar da cotovia
Que jamais amanheça!...

by Pedro Paulo Barreto de Lima

domingo, 10 de junho de 2012

VIDA SEVERINA

 

Dinheiro parco
Vida porca
Fétido charco
Que me encharca
E me consome
Débil fumaça
Morto de fome
Que vida-traça!

Dinheiro porco
Vida parca
Charco de lodo
Grande desgraça
Então me consumo
E o mais se esfumaça
Breve resumo
Da vida-traça!

Destino porco
Vivo morto!

by Léo Frederico de Las Vegas

sábado, 9 de junho de 2012

ZERO À ESQUERDA




Daqui a pouco a vida já se foi
E que proveito tive ou que parte
Me coube nesse brejo?... Sapo-boi,
O meu coaxo foi pilhéria ou foi arte?

Fui Papillon?... Bonifácio?... Bonaparte?!...
Zé Ninguém - alguém dirá - é o que ele foi.
E aos meus botões a retrucar destarte
Direi: fui tão-só um rastro da m'boi

Que enlaçou minha alma num cortiço...
A vida se esvaiu entre meus dedos
E não fui mais que uma grande farsa.

Onde estão meus sonhos e meus medos?...
Minha prosa?... Minha poesia esparsa?...
Não se aproveita de mim nem mesmo isso?!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

HISTÓRIA DE UM GRANDE AMOR



Como o bálsamo que cicatriza a ferida
De repente entraste em minha vida.
Acabara de sofrer uma desilusão;
Dilacelarado em mil pedaços estava meu coração...
Foi quando então cruzaste o meu caminho.
Que bom! Percebeste que eu estava tão sozinho
E tão carente de amor e de carinho
Que me deixaste realizar o sonho meu
Que era ver meus lábios colados aos teus
Num louco amor à Julieta & Romeu!

Envolvevo-nos num caloroso abraço
E, num momento de ilusão, foste minha!
Senti que fora o Soberano de um esplêndido Paço
E você a mulher da minha vida, a Rainha!
Meus coração pelas desilusões dilacerado
Deixou-se inundar por teu amor
E fui feliz por amar-te com ardor!

No dia seguinte, à noite, nos encontramos
E no cais da cidade a namorar ficamos...
Como estavas linda, ó Musa querida!...
... Após muitos encontros pelo dia-a-dia,
Resolvemos, para nossa alegria,
Que íriamos nos casar compartilhando cada instante da vida...
Mas... Tudo foi somente um sonho...
E voou o tempo que as desilusões descarta,
Porém, não voou aquele amor que foi nosso simplesmente,
E cujas lembranças foram eternizadas em nossa mente
Mais do que nas folhas de uma amarelecida carta,
Marta!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

SONETO DE ABANDONO



Há que acostumar-se com a ausência
Com o silêncio dos passos na escada...
Há que colher-se à doce rosa amada
Da beleza transitória a essência!

E lembrar no sorriso a elegância
Do clarão fulgente de um luar de prata
E ouvir da noite a voz em serenata
Salpicar no colo triste a fragrância!

O destino é esse: i-ne-vi-ta-vel-men-te
Mais dias, menos dias, há de o Mistério
Surgir assim na estrada abruptamente...

Seguir-se-á então o féretro funéreo
E as roseiras hão de invejar inutilmente
As margaridas a florir no cemitério!

by Manoel da Silva Botelho

sábado, 2 de junho de 2012

CORAÇÃO XONADO



Queria dizer que eu te amo
Que você é tudo pra mim;
O teu corpo envolver num abraço
E contigo viver uma paixão sem fim!

Do céu és a estrela mais bonita
Por você morro de amores
As estrelas, a lua, o Infinito,
É o nosso amor explodindo em cores!

by Léo Frederico de Las Vegas

Campeão de Acessos

DESILUSÃO...

De tanto te amar De tanto sonhar Que seria feliz Foi que eu me acabei Meu sonho quebrei E hoje sou infeliz… Por te amar tinha me...