sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DEPOIS DE MUITAS LUAS...



Depois de muitas luas estou de volta
Para os teus braços molhados de sereno...
O mundo era áspero, vazio, pequeno
Para o amor que batera à minha porta

E eu fui seguindo em minha visão torta
À sombra de um gótico olhar romeno,
Aquela que minha vida encheu de pleno
Gozo, mas me deixou... revolta!...

Percebi, então, a ilusão que eu vivera
E senti a tua falta, a tua ausência,
E a descoberta mais fantástica eu fiz:

Que sem você já não existe primavera,
Que sem você sou um poço de carência...
Voltei depois de muitas luas... pra ser feliz!

by Jayme Lorenzini García

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

PAIXÃO REMOTA





Ao acreditar no teu amor eu fui um idiota.
Ao pensar que me amavas fui um imbecil,
Pois, disto, o resultado foi um sofrimento vil
E tudo o que restou foi esta paixão remota!

O que eu sentia por ti era lindo e verdadeiro.
Mas foi com grande indiferença que você pagou
Esse lindo, maravilhoso e esplêndido amor
E no meu coração deste um golpe certeiro!

Agora, lamento e choro a minha desilusão
E seguindo minha sina, morto de paixão,
Sei que sempre vou te amar, ó ninfa dourada!

Ah, se quisesses aos meus braços voltar
Como pássaro sem asas que não pode voar
Cairia em tua rede, minha eterna e doce Amada!

by Léo Frederico de Las Vegas

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

SAUDADES...

Docival De Souza Gomes

Por quanto tempo ficam as saudades no peito
A choro, risos e lágrimas de primavera a regá-las
Se seu dono já não as reclama
Enternecido, afagado, acariciado pelo beijo da morte
Amorosamente com ela entrelaçado
No jazigo abandonado?

Hão de passar, pau-la-ti-na-men-te, como as nuvens
De uma tardezinha de verão
Que, sem pudor, nos privam da lua nova!?

Primeiro os gestos debochados:
Depois um certo jeito de sorrir,
A certeza de que Drummond era o maior,
A própria face inconfundível
Confundida com a explosão de uma supernova?!

(Saudade boa não comporta esquecimento..., never, never, never!)

Mas as lembranças do que foi e já não é,
Transformam-no, por fim, em adubo para as rosas...
Destino (inclusive) de todos nós, Docival!...

by Jaime Adilton Marques de Araújo

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

DEFININDO MELGAÇO


Melgaço é carinho puro,
É aconchego, é abraço gostoso,
É um jeito especial de amar.

É o passado que busca o futuro,
É o presente que se faz carinhoso,
É a brisa que beija o mar!...

... Esse canto Mãe D'Água, Yara,
No instante sem par da reponta,
Entoava nos igarapés

E o poeta que se encantara
Com a voz maviosa, afronta,
Os mistérios dos velhos pajés...

E segue também entoando
Um hino de grande valor
À cidade que o viu nascer

De belezas o peito estufando
E já desfalecido de amor
Inspirado, se põe a dizer:

Teu mel me enlaçou num só traço
Não passo seu o teu abraço
Sem teu laço não mudo o passo!

Me encanta teu lasso compasso
De saudade, enfim, me desfaço,
De em ti só pensar, ó Melgaço!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

SERENATA


Sinto uma saudade tua
Tão grande
Que não me cabe no peito
E me escorre pelos olhos
Em lágrimas!

Só há uma Lua Negra
Que espia
Nosso amor clandestino!...
Onde, pois, então,
Ser feliz
Se a própria vida me diz:
Não podes, ó poeta,
Desiste,
Não insiste?!

Só,
Estou tão só
Tenho um violão
E uma cachaça
Na noite escura
Em plena rua
Uma música
Pra você
Agora vou tecer
Em suave serenata!

by Manoel da Silva Botelho

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O BEM MAIOR DA VIDA


Eu não quero que parem a cidade
Por minha causa quando eu morrer;
Quero que a vida continue a ser
A mesma com total simplicidade.

Quando eu me for (e espero que não há de
Ser tão breve, pois muito vou viver),
E então, sem mais nem menos, falecer
Quero que hajam com naturalidade.

E falem sobre a vã filosofia
De querer abraçar o mundo inteiro
Como a cousa mais ridícula que há.

Que junto à minha urna, com alegria,
Descubram  meu sorriso prazenteiro
E que o bem maior da vida é amar!

by Léo Frederico de Las Vegas

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

FUMAÇA

     
Ao meu amigo Zack, para que saiba quem é

Fui olhar-me ao espelho e estremeci:
Quanto tempo perdido em devaneio!
Incrédulo, vi um fantasma meio
Que triste!... Eu não me reconheci

No amargo rosto refletido! Receio
Que faz tempo que eu me perdi.
Quantas ilusões, fantasias, bloqueio
De tudo quanto belo eu não vivi!

Mas a imagem refletida é fidedigna.
Essa máscara hipócrita, maligna
Que vejo é tudo o que de mim restou!

Eu, que pensei ser dia e primavera
Vejo que (oh, martírio, oh, quimera!)
Não sou nada. E... eu nem sei quem sou!

by Manoel da Silva Botelho

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SONETO DE TERNURA À MAMÃE


Fui por ti gerado e fui criado
Como um sonho nos ninhos do amor
Por teus braços de seda cativado
Fui peralta e do sete o pintor.

Pintado de chão brincava. O calor
De teu sorriso de mel inebriado
Me deixava, água levando o ardor
Do sol, teus braços de chuva... molhado!

Era a tua proteção sempre presente...
Mesmo hoje já crescido, teu "bebê"
Usufrui teu aconchego nunca ausente!

De que tamanho é, mãe, teu coração?
Não sei! Mas, se um erro eu cometer
Sei que será menor que o teu perdão!

by Itamar de Vasconcelos R. Jr.
    &
by Yara Cínthya Marcondes da Silveira

domingo, 11 de dezembro de 2011

SONETO DE TERNURA À ILHA DA MARACANÃ











Onde estão as revoadas de araras,
Papagaios, maracanãs, periquitos?...
Ao visitante de hoje - mosquitos
E mutucas... e nada de aves raras!

Árvores belas tornadas caiçaras
Praias submersas, quadros precitos
De belas paisagens, mortos em ritos
Caititus, jacarés e outras embiaras!

Quando Mamede te exaltou no Hino
Que enobrece soberbo, ressupino
Meu torrão natal, de alma louçã,

Eras mais que uma ilha tão-somente:
Cartão postal, eras do céu o presente
Pra Melgaço, ó Ilha da Maracanã!

by Jaime Adilton Marques de Araújo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

AMOR PRA TODA HORA


O meu amor não é abstração
É latente, real, bate em meu peito
Na sintonia do prazer, desfeito
Em lágrimas que regam o coração!

O meu amor é mais que emoção
É uma áspera carícia, é um jeito
Especial de buscar o ar, refeito
Que se está da súbita paixão.

O meu amor é essa brisa leve
Que sopra em teu cabelo as luzes
Que o tempo teima em te coroar...

O meu amor sempre contigo esteve
Ajudando-te a levar as cruzes
Que nos impõem por, simplesmente, amar!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A INDESEJADA DE TODAS AS GENTES...


O hálito podre da Morte me apavora
E sou alérgico ao seu terrífico estertor;
Mas sinto-o n'alma a corroer desde agora
Os quadros mais belos que a vida me pintou!

Sinto-o, numa fome voraz que me devora,
A deixar em minha boca a nâusea,  o amargor
Dos longos anos que vivi em vão, embora
Seja o retrato em preto e branco do que sou!

Tal como o verme infame que faminto espreita
A carne pútrida que se destina a ser
Seu lauto banquete na interminável noite

A Morte sem firulas ao meu lado deita
Bafejando horrores a me estremecer...
E eu, me entrego, louco, ao sibilar do açoite...

by Manoel da Silva Botelho

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A DOR DESSA SAUDADE


Essa dor em meu peito é saudade
É saudade que não para de sangrar
Que me faz pensar que inda há esp'rança
De que um dia eu possa te amar!

Essa dor em meu peito é nostalgia
É nostalgia de teu beijo, teu olhar,
Que me faz imaginar que sem tardança
Eu possa um dia meu amor te entregar!

Ah, se fosse essa dor erradicada
E nosso amor feito, enfim, realidade
Desse vida às flores mortas da sacada

Eu não pediria nada mais que essa verdade:
Saber-te sempre minha musa, minha Amada...
E eu sufocaria a dor dessa saudade!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CUMULONIMBUS

Thunderstorm anvil - NOAA.jpg

Em síntese a noite sussura
O choro das nuvens complexas.
Dolente, a minha alma urra
Sílabas de dor desconexas.

E eu sou essa noite escura
E eu sou essas nuvens espessas;
E eu teço em sutil urdidura
Tua volta, agora, às pressas!

Pois senão o carinho perece,
Pois senão a candura fenece,
Na incerteza de tua presença.

E eu invento teu nome, teu gosto,
E uma beleza sem par, de dar gosto...
E te cultuo na minha descrença!

by Manoel da Silva Botelho

domingo, 4 de dezembro de 2011

SONETO DE AMOR E CIÚME


Surpreendi a poesia há pouco
Tecendo rimas em teus cabelos;
E eu fiquei triste em meus zelos
Enciumado feito um louco

Que desdobrei-me em desvelos...
Calíope nem percebeu - tampouco -
Será que tem o ouvido mouco?
Não vê que meus violoncelos

É que te tocam, ó Bem-Amada,
E em doce paz transfigurada
Te fazem ser feliz assim?!

Tenho ciúmes de mãos impuras
Que te afagam, ó deusa pura!...
Quero-te, inteira, só pra mim!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

sábado, 3 de dezembro de 2011

À MARTA MORAES GARCIA




Uma saudade
Uma lembrança
Uma verdade
Uma esperança!

Uma pessoa
No mundo nascida
De índole boa
E dona da vida!

Quis a implacável sina
Sua roupa rasgada
E, desde menina,
Sua alma dilacerada!

Não obstante o sofrer
Ela é forte, feliz e querida
E por nada há de querer
Desistir da vida!

Ela é uma rara pepita
A mais valiosa turquesa!
Sei, ninguém acredita,
Mas ela é a minha princesa!

Dia-a-dia me consome
Uma nostálgica alegria
Que se traduz em um nome:
Marta Moraes Garcia!

Uma saudade
Uma lembrança
Uma verdade
Uma esperança

De seja aqui ou onde for
Com ela ser feliz em nome do amor!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Campeão de Acessos

DESILUSÃO...

De tanto te amar De tanto sonhar Que seria feliz Foi que eu me acabei Meu sonho quebrei E hoje sou infeliz… Por te amar tinha me...