quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CONSTATAÇÕES DE UMA FEBRE DELIRANTE



Tenho febre e escrevo vãos delírios!
Sensações de que as coisas não estão
No lugar onde deveriam!... A visão
De minha janela mostra-me os martírios

Que sofrem as rosas, os cravos e os lírios
E a margarida mal saída do botão
E a flor de laranjeira e o açafrão
Saídos de um pesadelo pra meus colírios!

Definitivamente as coisas mudam de lugar.
Só a febre em mim é permanente
E essa sensação estranha, visceral

Que me acabrunha e me leva a meditar
Sobre o amor - o sentimento mais demente
Que o homem inventou para seu mal!

by Manoel da Silva Botelho

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

SOBREVIVENTE



À longa noite
dos generais
Sobrevivi
E volto pálido
Pra junto de meus pais
Embora tão velho assim,
Mas trago dentro do peito
A esperança que não morreu
Em um mundo de amor perfeito
Um tiquinho multiterno do céu!

by Léo Frederico de Las Vegas

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

POR QUE AS LENDAS MORREM?*



              *Título extraído do subtítulo de uma monografia de Docival Gomes

Há um ano, Docival, tu nos privaste
De tua sempre fraterna companhia.
Esbanjavas por tua volta alegria
E em teu rosto num sutil engaste

Vislumbrava-se - oh, mas que contraste -
A rosa da tristeza que sorria
À espera de que raiasse logo o dia
Em que da paz erguida fosse a haste!

Mas te foste sem muita explicação
E deixaste em noss'alma melancólica
Uma doce saudade em construção

De tua obra intensa, singular, bucólica,
Poesia sem firulas, poesia social
Que deste mundo amenizava o mal!

by Jaime Adilton Marques de Araújo

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ESSE AMOR…



É inexplicável
E transcendental
O nosso amor
Posto que se compõe
De inúmeras partículas
Dessa matéria
A que chamamos vida
E a quem os poetas chamam
Mais propriamente sonho…
Sim, nosso amor
É um sonho real
A nos encher de fantasia…
E te amo!
Não com a angústia
Dos amores terminais
Horrorizados com a idéia da solidão
Mas com a paz, doce paz
De um amor calmo e tranqüilo
Cumprido na tranqüilidade
De uma tarde cinzenta
Próximo a um lago azul!
Ah! É tão gostoso lembrar de você
E te contemplar, extático,
Tão longe de mim,
Pois és esta lua
A lançar um não-sei-quê
De mistério e poesia
No fundo de minha alma
Até chegar o indelével momento
De te amar!

by Léo Frederico de Las Vegas

domingo, 26 de dezembro de 2010

SONETO DE DESENCANTO AO MEU XARÁ MANUEL BANDEIRA



O desespero da noite agoniza
Nos cálidos abraços da aurora
Que um novo alento revigora
Em mim e na minh'alma eterniza

Essa áspera vontade de ir embora
Beijando-lhe os lábios e a face lisa
Deixando-me acarinhar por sua brisa
Doce acalanto do amor de outrora.

Desce em meu rosto uma lágrima amarga.
Dá uma vontade de ir para Pasárgada
E consolar-me ao pé de Manuel

E esfolhar-lhe a estrela da vida inteira.
Vontade de encontrar-me com Bandeira
Satisfazendo o meu sonho de céu!

by Manoel da Silva Botelho

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

PRESENTE DE NATAL



Presente algum
Eu queria neste Natal…
Aliás, somente um,
Mas esse é excepcional:
O presente que eu mais quero
É ter você bem junto a mim.
Quero reconstruir o meu castelo
E o meu coração ofertar a ti!

by Léo Frederico de Las Vegas

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

LAMENTO DE AMOR



Antes que a vida nos traga
A solidão dos alpes
Quero beijar tua boca, Maria,
Quero acariciar
Tuas mãos calejadas
Quero sorver
O perfume de teus seios
E tocar, num frêmito,
Tua pevide!

Antes que o frio intenso
Me congele os sentimentos
Quero viver contigo
Essa aventura
Para além do país dos sonhos
Como Peter Pan e Sininho
Na Terra do Nunca
Ou João & Maria
Perdidos
Na casa da Velha Gulosa,
Velha Golosa!

Quero morrer em teus braços, Maria,
Quero viver em teu colo, Maria.
Quero sonhar os teus sonhos, Maria.
Quero você, Maria!

Antes que a solidão dos Alpes
Me enregele os ossos
E eu não tenha mais teu carinho,
Maria!

by Olímpio José de Araújo

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

IMPRESSÕES DE UM ECLIPSE



À espera estou de um eclipse
Anunciado, hoje, para a lua.
Madrugada afora estou na rua
Pra esse encanto captar numa elipse.

Então a sombra desenha o apocalipse
E expulsa ao Minguante que se insinua
A solidão, pois a alma pura e nua
Já não pode falar em paralipse!

É o ciclo da vida que se renova.
A penumbra é total, é Lua Nova!
Minh'alma, então, uma canção, aos céus alteia!

Depois, surge o Crescente luminoso
E Diana ganha o porte majestoso
De uma autêntica e sublime Lua Cheia!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

SEMPRE SEREI TEU INCONSTANTE AMIGO



Quando sentires n'alma o peso da distância
Quando o tempo te for um pesadelo
Lembra de mim que desde o tempo de criança
Por ti nutria um amor com mui desvelo.

Quando o vento sul bater nos teus cabelos
Quando sentires um desejo, uma ânsia
De procurar-me, estarei presente pelos
Dias em fora sempre em tua lembrança.

Por que a vida foi cruel assim conosco
E sorvemos Tatuzinho e Dom Bosco
Não sei dizer-te! - merecemos tal castigo?

Mas porque foste minha eterna namorada
Mesmo sem nunca desvendarmos a madrugada
Sempre serei teu inconstante amigo!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

domingo, 19 de dezembro de 2010

AMOR, ETERNO AMOR



Se da folha a dor pudesse ser sentida
- Arremessada do galho pelo vento -
Se o fremir de seu doce sofrimento
Do poema na margem coubesse perdida

Se ouvido fosse a todo o momento
O adeus patético da rubra orquídea
Que se entrega perfumosa e felídea
Ao contato de humano sentimento...

E, se, por fim, pudesse ser contado
Em versos livres o amor que foi negado
Aos amantes sem pudor, sem sul nem norte

Eu romperia de meu peito o silêncio
E dir-te-ia desse Amor - pois nada vence-o -
Nem a distância, nem o tempo, nem a morte!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

sábado, 18 de dezembro de 2010

SONETO DO AMOR IMORTAL



Vontade de sentir a superfície
De tua alma roçando a minha pele
Ser em teu ser tal qual meningocele
Ficar em ti, tatuado, qual efígie!

Vontade de, enfim, gozar aquele
Momento reservado com blandície
Quando juraste à margem do Estige
Dizendo: "Meu amor será só dele!"

Quem dera que minh'alma apaixonada
Seguisse assim da vida pela estrada
Cantarolando aos céus a minha dor...

Quem me dera "não mais que de repente"
Chegar feliz, alegre e sorridente
Ao destino final do grande amor!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O MEU AMOR POR TI É GRANDE, SEMPITERNO!



Se te amo?! Ora, Senhor! Por que duvidas
Do sentimento mais lindo que já houve?!
Nem Camões, Drummond, Mozart, Beethoven
Cantar puderam com emoção sentida

O amor de suas musas como eu canto
Nesses rudes versos incompreendidos
E que, às vezes, não fazem sentido,
Levando-me a beber, sorver o pranto

Que derramo quando te vejo triste!
Sim, o amor que há em mim resiste
Ao pulsar lento das horas, aos acenos

E à luxúria dos versos obscenos:
E esse amor é bem maior que céu e inferno
O meu amor por ti é grande, sempiterno!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A DOR DE UMA GRANDE SAUDADE


Glosa
A dor não mata porque faz chorar:
se esvai no pranto aos poucos, suavemente.
(Beatrix dos Reis Carvalho - Papai )

A dor não mata porque faz chorar
O tristonho poema que transborda
Do coração e faz vibrar as cordas
Saudando um verso triste ao luar.

Mas ela fica no peito a inflamar
A paixão adormecida que acorda
E salta, feliz, para além das bordas
Do coração que se põe a lamentar...

A dor aguda faz sofrer o peito
Que geme a perda de seu grande amor
E, mudo, se queda, insatisfeito

Sorvendo a tristeza mais dolente,
Pois da saudade imensa a grande dor
Se esvai no pranto aos poucos, suavemente!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

sábado, 4 de dezembro de 2010

ACORDADO NA TRISTE E FRIA MADRUGADA



Estou de mal com Morpheus.
Não quero seus braços,
Seus longínquos braços
Cheios de adeuses e solidão!

Prefiro continuar desperto
E lembrar dos meus sonhos,
singelos sonhos de criança
Quando eu acreditava na vida,
Quando eu acreditava no amor!

(Mas isso foi há muito tempo...)

A ter que entregar-me a ele
E reviver os pesadelos
Perdidos na insônia
De Fred Krueger
No submundo
Da desesperança!

Mas estou lúcido
E vou sobreviver
À Hora do Pesadelo!!!

by Manoel da Silva Botelho

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NO COLO DA NOITE E SENTINDO TUA FALTA



Estou enroscadinho no colo da noite
Ouvindo o murmúrio das estrelas cadentes
E o sussurro da brisa que acaricia o meu rosto
E atesta a ausência de teu corpo em mim.
A lacuna dos carinhos que não pudemos trocar,
Os beijos calientes que não pudemos beijar,
O suor escaldante que não exalamos,
Os lençóis lilases que não amarfanhamos,
Tudo, tudo me faz lembrar
Que tua presença é essa ausência de ti!

Meus pés procuram os teus
Mas só encontram o vazio de tua falta;
Minhas mãos buscam tuas nádegas,
Meus lábios, teus mamilos
Na ânsia de bebericar o néctar da vida
Que exala de teu corpo em chamas,
Mas nada encontram
Porque não estás aqui.
Na verdade, nunca estiveste...

Mas, a saudade do não acontecido
É tamanha em meu peito
Que fico insone, a pensar,
Que essa brisa que roça o meu corpo
És tu, que trazes o frescor de teu hálito
Para abrandar a minha solidão
Neste momento em que estou
Enroscadinho no colo da noite!

by Pedro Paulo Barreto de Lima

Campeão de Acessos

DESILUSÃO...

De tanto te amar De tanto sonhar Que seria feliz Foi que eu me acabei Meu sonho quebrei E hoje sou infeliz… Por te amar tinha me...